Perfil da Cidade de Caetité

Casa Anisio Teixeira Caetité situa-se entre o Planalto Central - na vertente oriental da Serra do Espinhaço - depressão do São Francisco, a sudoeste do estado da Bahia, integrando a Zona Fisiográfica da Serra Geral. A sua origem está ligada à exploração aurífera da Villa de Nossa Senhora do Livramento do Rio das Contas quando, em 1725, o coronel Pedro Barbosa Leal abriu a estrada de Jacobina para o Rio de Contas.



 

Câmara Municipal O povoamento do Rio das Contas resultou na exploração das regiões circunvizinhas. Segundo a tradição, a povoação do núcleo primitivo é explicada com a chegada de colonos portugueses que intencionavam colonizar as terras e fixarem-se no sítio do Caitatés, um grande latifúndio agrícola e pecuarista, de posse do Capitão Estevam Pinho. Este sítio serviu de pouso para viajantes, sertanistas e bandeirantes que buscavam ouro e trabalhavam com o comércio de gado. Figurava como ponto estratégico, já que se encontra entre Rio de Contas e Minas Nova (MG).

Igreja São Benedito As terras do Caiteté pertenciam às sesmarias da Casa da Ponte, instituída pelo Mestre de Campo Antônio Guedes de Brito, abrangendo desde o Morro dos Chapéus até a nascente do Rio das Velhas. Encontram-se evidências que a freguesia se firmou servindo como ponto de passagem, descanso e abastecimento de gêneros, bem como de refúgio diante das lutas partidárias do Primeiro Reinado e Império, fato que levou à fixação de segmentos que constituíram as antigas famílias caetiteenses. Em 5 de outubro de 1759, as terras foram incorporadas à Coroa e, por Provisão do Conselho Ultramarino de 12 de julho de 1803, foi assentada a criação da Villa, que recebeu o nome de Villa Nova do Príncipe e Santana de Caitaté. Cabe salientar que a criação da vila está intimamente relacionada ao progresso da freguesia que gerou necessidades de operacionalização local das demandas políticas e jurídicas. Entretanto, somente em 1810 verificou-se sua instalação. A vila reunia ricos mercadores mineiros que faziam o tráfico de escravos, joalheiros franceses, perseguidos políticos e a população local. De acordo com algumas fontes, as festas, representações teatrais e demais diversões atraíam visitantes, inclusive da Capital. Segundo relato de viajantes, Caetité tornou-se centro de distribuição de produtos manufaturados ou de produtos oriundos de outras regiões. Caetité foi finalmente desmembrada da Comarca de Minas do Rio de Contas pela Lei provincial nº 518, de 19 de abril de 1855. A vila foi elevada a cidade pela Lei 995, de 12 de outubro de 1867. O trabalho escravo acompanhou toda a história da região. O alto sertão e a Chapada Diamantina contaram com escravos africanos e crioulos para trabalhos na mineração e policultura.

Observatório Meteorológico Farta documentação comprova que escravos trabalharam também como tropeiros e vaqueiros. Dessa documentação, chamamos a atenção para os livros de razão de fazendeiros da região, que documentaram os seus negócios e transações de mercadorias e boiadas. Ao longo do século XIX, Caetité manteve um comércio ativo com as cidades circunvizinhas e com a capital da Província, Salvador. As relações comerciais garantiram fôlego para as microeconomias regionais, ao tempo em que mantiveram o sertão articulado às economias mais centrais. O comércio de abastecimento de Caetité expandiu-se ainda para o norte de Minas Gerais, onde contatos fecundos foram mantidos com intensidade até os anos iniciais do século XX.